Amante das palavras (por lucas veiga)

De tanto segurar o choro
me fiz amante das palavras.

Foto: Julia Pak


eu tento não segurar a lágrima,

mas ela sequer aparece.

de tanto segurar o choro

me fiz amante das palavras.

é por isso que escrevo poemas,

porque sei o peso dos pontos finais,

das vírgulas

 e dos espaços

que antecede os parágrafos.

a saudade é um choro

que a gente segura

a vida toda.

e se engasga, às vezes adormece.

cada um vive a ausência da sua maneira

a tua eu guardo na pele

ou num retrato na cabeceira.

és minha saudade de estimação,

doméstica e livre,

como um felino.

na caixa de areia

onde pões cotidianamente

teus dejetos,

recolho o que é desagradável e natural:

o teu amor - a necessidade.

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